As prioridades externas de Emmanuel Macron

“A Europa e o mundo esperam que sejamos, finalmente, nós!”

Assim exclamou Emmanuel Macron, recém-eleito Presidente de França, para milhares de apoiantes no Museu do Louvre, durante o discurso de vitória. A declaração, embora vaga, desvenda o plano deste novo inquilino do Eliseu para a política externa do seu país: reafirmar o papel de França no palco internacional.

A campanha presidencial de Macron sublinhou um claro compromisso com a União Europeia (UE). Não é novidade: Bruxelas foi um dos alvos principais nestas eleições, ora pelas apetências anti-europeístas de Marine Le Pen, ora pelo questionamento da extrema-esquerda. Nesta pasta, o jovem Presidente está preparado. Antigo banqueiro da Rotschild, ex-Ministro da Economia de François Hollande, tem um conhecimento claro do cenário financeiro do bloco comunitário. Entre aqueles que partilham a sua visão de uma França “europeia”, aglomeram-se as expectativas de revitalizar a economia do país e reconfigurá-la como uma das mais fortes da zona euro, em contra-peso à hegemonia da Alemanha.

É na cena mundial que Macron não está tão bem preparado, a campanha evidenciou isso. As conjunturas internacionais mostram que o Presidente francês terá de lidar com os Estados Unidos chefiados por Donald Trump. A sua equipa já admitiu que planeia conversar com a Casa Branca no que toca aos acordos de comércio livre e o acordo nuclear com o Irão. Mas, por agora, o grande e imediato desafio, passa mesmo por convencer os norte-americanos a não abandonarem o Tratado de Paris para o aquecimento global. A administração estadunidense já admitiu que daria uma resposta ainda esta semana.

A prestação discreta de Macron nos assuntos internacionais levaram os politólogos franceses a acreditar que a sua política exterma será, por isso, moldada pelo futuro Ministro dos Negócios Estrangeiros. O nome de quem ocupará essa pasta está no segredo dos deuses. Por outras palavras, só deverá ser conhecido depois das legislativas. Obter ou não uma maioria faz com que o Presidente possa escolher entre novatos políticos ou ceder às exigências de um acordo governativo, leia-se, políticos/diplomatas de carreira. A pasta externa será, portanto, uma moeda de troca. A julgar pelas sondagens, com o partido Os Republicanos.

Uma coisa é clara, neste momento. O rol de atentados em França no espaço de dois anos, bem como a sua multiplicação em outros países europeus, faz com que a luta contra o terrorismo seja prioritária. Será isso que irá levar até à próxima cimeira da NATO, em Bruxelas, dentro de poucas semanas. E o novo Presidente quer atacar o problema de raiz, como ficou explícito pelo seu plano de criar uma força anti-Estado Islâmico para coordenar as operações militares francesas no Iraque e na Síria.

 

 

 

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s