Quem é Jean-Luc Mélenchon?

Jean-Luc Mélenchon quer o fim da Vª República, que institucionalizou, acredita o candidato presidencial, um sistema “monárquico”, próximo dos “chefões das finanças que subjugam e dominam”. O troco, é ver nascer uma nova França, mais democrática, mais igualitária.

Apologista do proteccionismo, em vez de cortes orçamentais, quer mais despesas governamentais para estimular a economia. Acredita que os trabalhadores têm de ter maior controlo sobre “os meios de produção”. Por outras palavras, quer dar mais poderes aos trabalhadores, como o veto em decisões empresariais relativamente a dispensas nos quadros ou investimentos estrangeiros. E para muitos eleitores, é o político que evoca outros tempos da política francesa. Dos tempos em que o Partido Comunista dominou a política em França, desde o fim da Segunda Guerra Mundial até à vitória de Charles De Gaulle em 1958.

Com carreira no Partido Socialista francês (PSF), este antigo professor foi Secretário de Estado da Educação no governo de Lionel Jospin, entre 2000 e 2002. Em 2008, abandonou as fileiras socialistas e forma o Partido de Esquerda. Quatro anos depois, candidata-se à presidência e recolhe 11% dos votos.

Mélenchon foi o primeiro a anunciar a candidatura ao Eliseu, há mais de um ano, desta vez com uma nova plataforma, claramente intitulada “A França Insubmissa”. Até pode terminar este processo eleitoral no quarto lugar, mas tudo indica que ficará à frente de Benoît Hamon, candidato socialista, a quem tem negado diversos apelos para se retirar e criar uma frente de esquerda unida. E isso, a confirmar-se, voltará confirmar a queda-livre dos tradicionais partidos de centro-esquerda na Europa.

O problema aqui, de quem apoia Mélenchon, nem será tanto Hamon mas sim o PSF. Sentem traição e esse sentimento foi cultivado durante a presidência de Hollande, que sempre resistiu pouco ao ímpeto austeritário liderado pela Alemanha na UE ou liberalizou, perante enormes manifestações em oposição, as leis de trabalho no país. O homem que, defende Mélenchon, entregou a soberania de França à União Europeia (UE), defensor do neo-liberalismo.

O “abandono” do socialismo idealizado por esses eleitores reflete-se num PSF perto da implosão. Manuel Valls, ex-Primeiro-Ministro, foi o último de uma linha de dirigentes socialistas a admitir que irá votar em Macron do que no candidato do próprio partido. Mas o caso francês não é inédito. Vimos recentemente na Holanda, onde os trabalhistas ficaram num arrasador sétimo lugar, que reduziu o número de deputados para nove, quando tinham 38. Vemos em Espanha, onde o PSOE procura um novo líder e tenta recompor-se dos piores resultados alguma vez obtidos em eleições legislativas. Vemos no Reino Unido, onde o Partido Trabalhista está fraturado internamente, muito devido à liderança de Jeremy Corbyn.

Mélenchon simboliza, precisamente, o contra-peso ao eclipse de muitos partidos socialistas tradicionais. Mais concretamente, a emergência dos movimentos populistas de esquerda, como na Grécia, quando o semi-desaparecimento do PASOK contrastou com a ascensão do Syriza de Alexis Tsipras. Ou até em Espanha, quando a queda da formação liderada por Pedro Sánchez se fez acompanhar pela subida do Unidos Podemos de Pablo Iglesias.

 

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